30.11.11

Cacos de Vidro


Era como se um caco de vidro tivesse se alojado no meu peito
Um estilhaço, um pedaço do seu mau-jeito, havia tempo
No início só havia medo até o dia que eu quis acordar cedo
Madruguei no escuro do quarto vazio

Funciona assim: você sempre foge
Mas ainda é parte de mim
Na roda da fortuna faço tantas apostas falidas
Que te espero em vão mergulhado num mar de esperanças perdidas

Conto o tempo nos ponteiros do relógio, no fundo da pia
Nos faróis vermelhos, nas rodas do dia
Nos maços de cigarro, nos amaços da desalegria
E uma onda vem de fora a fora num arrastão de nostalgia

Se eu fosse uma estrela, você era firmamento
Se eu fosse chão de barro, você era de cimento
Se eu fosse evaporado, você era caloria
Se eu fosse turbilhão, você era calmaria

Você sempre foi oposta à minha forma pensamento
Eu rolava como pedra e você vinha como vento
E dançava nessa valsa de canções e de silêncios
Se eu fosse como água, você era rompimento

Eu sonhava
Eu sonhava
Eu sonhava
Eu sonhava

Quando em olhos me fechava
Com você eu sonhava

Eu sonhava
Que voava
Que voava
Que voava

Eu sonhava que voava
Mas em cacos de vidro eu pisava

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